{"id":4260,"date":"2025-02-28T15:25:24","date_gmt":"2025-02-28T18:25:24","guid":{"rendered":"https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/?p=4260"},"modified":"2025-02-28T15:26:14","modified_gmt":"2025-02-28T18:26:14","slug":"a-imprescritibilidade-das-verbas-relativas-a-escravizacao-contemporanea-de-seres-humanos-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/index.php\/2025\/02\/28\/a-imprescritibilidade-das-verbas-relativas-a-escravizacao-contemporanea-de-seres-humanos-2\/","title":{"rendered":"A imprescritibilidade das verbas relativas \u00e0 escraviza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea de seres humanos"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<p><strong>Carla Reita Faria Leal e Bruna Figueiredo Oliveira Silva<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-683x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3941\" style=\"width:230px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-683x1024.jpeg 683w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-200x300.jpeg 200w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-768x1151.jpeg 768w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1025x1536.jpeg 1025w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1366x2048.jpeg 1366w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1000x1499.jpeg 1000w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-500x749.jpeg 500w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1400x2098.jpeg 1400w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00.jpeg 1708w\" sizes=\"(max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><\/figure><\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify has-ek-indent\" style=\"--ek-indent:20px\">Recentemente o Tribunal Superior do Trabalho (TST) reconheceu a imprescritibilidade do direito de ajuizar a\u00e7\u00e3o trabalhista em epis\u00f3dio no qual uma fam\u00edlia manteve empregada dom\u00e9stica em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o por cerca de 20 anos. De acordo com a decis\u00e3o, de relatoria da Ministra Liana Chaib, nas ocasi\u00f5es envolvendo crimes contra a humanidade, como na situa\u00e7\u00e3o analisada, a prescri\u00e7\u00e3o trabalhista deve ser interpretada de maneira sist\u00eamica. O caso se refere a uma A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica (ACP) ajuizada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT) e pela Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o (DPU) de S\u00e3o Paulo, com base em den\u00fancia realizada em junho de 2020, que foi comunicada pelo Minist\u00e9rio da Mulher, Fam\u00edlia e Direitos Humanos, em que o seu teor se referia \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de uma empregada dom\u00e9stica idosa que estava sendo submetida a condi\u00e7\u00f5es degradantes, assim como a maus tratos, a epis\u00f3dios de agress\u00f5es e a cerceamento de liberdade. Nos autos da ACP em quest\u00e3o, o juiz da 53\u00aa Vara do Trabalho de S\u00e3o Paulo deferiu o pedido de realiza\u00e7\u00e3o de dilig\u00eancia no local em que a dom\u00e9stica residia e prestava servi\u00e7os e, por ter sido apurada a veracidade da den\u00fancia, houve o resgate da idosa, ao mesmo tempo que foi lavrado o auto de pris\u00e3o em flagrante delito contra uma das r\u00e9s, visto que o delegado respons\u00e1vel pelo caso entendeu que a situa\u00e7\u00e3o se amoldou \u00e0 figura t\u00edpica de reduzir algu\u00e9m em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas de escravo, prevista no artigo 149 do C\u00f3digo Penal. Na ocasi\u00e3o, tamb\u00e9m foram apurados o cometimento dos crimes de abandono de incapaz e omiss\u00e3o de socorro em face da v\u00edtima, o que fez com que todos os r\u00e9us investigados fossem indiciados por esses crimes e o de redu\u00e7\u00e3o de pessoas \u00e0 condi\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 de escravo j\u00e1 mencionado, visto que houve a constata\u00e7\u00e3o de que a v\u00edtima morava em quarto da resid\u00eancia destinado a dep\u00f3sito, cuja situa\u00e7\u00e3o era prec\u00e1ria e degradante, sendo que no c\u00f4modo n\u00e3o havia acesso \u00e0 nenhum banheiro do im\u00f3vel, ficando a resgatada impossibilitada de realizar necessidades b\u00e1sicas com dignidade. A v\u00edtima n\u00e3o recebia refei\u00e7\u00f5es nem sal\u00e1rio regular. Relatos de vizinhos tamb\u00e9m acrescentaram ao caso a descri\u00e7\u00e3o de epis\u00f3dios de viol\u00eancia verbal sofridos pela empregada, al\u00e9m de uma circunst\u00e2ncia em que houve a omiss\u00e3o de socorro por parte dos empregadores, ocasi\u00e3o em que a idosa havia sofrido uma queda e, mesmo tendo passado a noite gritando por ajuda aos patr\u00f5es, n\u00e3o foi socorrida. Em virtude do quadro f\u00e1tico verificado, foi requerida na ACP a condena\u00e7\u00e3o dos r\u00e9us a indenizar a v\u00edtima em danos morais individuais e em por danos morais coletivos, al\u00e9m de verbas trabalhistas. Na senten\u00e7a condenat\u00f3ria houve o reconhecimento dos pedidos indenizat\u00f3rios, bem como se reconheceu a exist\u00eancia do v\u00ednculo empregat\u00edcio desde 1998, pelo que foi determinado que os patr\u00f5es efetuassem o pagamento de sal\u00e1rios e demais verbas trabalhistas, como f\u00e9rias e 13\u00ba, observando-se, por\u00e9m, a prescri\u00e7\u00e3o trabalhista.  O Tribunal Regional do Trabalho da 2\u00aa Regi\u00e3o manteve a condena\u00e7\u00e3o, mas majorou as indeniza\u00e7\u00f5es para 350 mil reais (danos morais individuais) e 300 mil reais (danos morais coletivos). Em virtude disso, houve a interposi\u00e7\u00e3o de recurso ao TST, em que os empregadores buscavam a reforma total do ac\u00f3rd\u00e3o, enquanto o MPT e a DPU questionavam a prescri\u00e7\u00e3o trabalhista aplicada no primeiro grau e mantida no segundo grau. Na ocasi\u00e3o, a Ministra Liana Chaib entendeu que n\u00e3o \u00e9 cab\u00edvel a aplica\u00e7\u00e3o de prescri\u00e7\u00e3o trabalhista nos casos de trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o, pois tal situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 correlata \u00e0quela do empregado que busca a presta\u00e7\u00e3o jurisdicional pelos seus direitos. Para a relatora, as<br>situa\u00e7\u00f5es em muito se distanciam, uma vez que na primeira hip\u00f3tese, redu\u00e7\u00e3o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o an\u00e1loga a de escravo, o trabalhador est\u00e1 sujeito a v\u00e1rios tipos de viol\u00eancias, inclusive \u00e0 priva\u00e7\u00e3o de liberdade para ir atr\u00e1s do que lhe \u00e9 devido. No ac\u00f3rd\u00e3o tamb\u00e9m foi destacado que o caso se refere a um crime contra a humanidade, em que se v\u00ea grande afronta aos direitos humanos. Com isso, o TST aplicou, de forma anal\u00f3gica, aos casos de trabalho em condi\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 de escravo, o entendimento firmado na S\u00famula<br>n.\u00ba 647 do STJ, na qual se reconhece a imprescritibilidade das a\u00e7\u00f5es indenizat\u00f3rias por danos morais e materiais advindas de persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, junto \u00e0 viola\u00e7\u00e3o de direitos fundamentais durante o regime militar. Desta forma, o TST reconheceu que a v\u00edtima poder\u00e1 cobrar em ju\u00edzo as verbas trabalhistas devidas em todo o per\u00edodo trabalhado, independentemente de prazo prescricional. Quanto \u00e0 condena\u00e7\u00e3o \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais coletivos, a relatora entendeu por sua redu\u00e7\u00e3o para 200 mil reais, ao levar em conta a capacidade econ\u00f4mica dos empregadores, bem como a ideia de que esta tem car\u00e1ter meramente punitivo e pedag\u00f3gico, uma vez que a viola\u00e7\u00e3o de direitos fundamentais \u00e9 irrepar\u00e1vel. Louvamos a decis\u00e3o e esperamos que essa decis\u00e3o seja uma de muitas nesse sentido!!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify has-ek-indent\" style=\"--ek-indent:20px\"><br><strong>Carla Reita Faria Leal e Bruna Figueiredo Oliveira Silva s\u00e3o membros do Grupo de Pesquisa sobre meio ambiente do trabalho da UFMT, o GPMAT.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carla Reita Faria Leal e Bruna Figueiredo Oliveira Silva Recentemente o Tribunal Superior do Trabalho (TST) reconheceu a imprescritibilidade do direito de ajuizar a\u00e7\u00e3o trabalhista em epis\u00f3dio no qual uma fam\u00edlia manteve empregada dom\u00e9stica em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o por cerca de 20 anos. 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