{"id":4160,"date":"2025-02-27T16:07:17","date_gmt":"2025-02-27T19:07:17","guid":{"rendered":"https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/?p=4160"},"modified":"2025-02-27T16:07:18","modified_gmt":"2025-02-27T19:07:18","slug":"os-jovens-brasileiros-e-a-crescente-dificuldade-de-seu-ingresso-no-mercado-de-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/index.php\/2025\/02\/27\/os-jovens-brasileiros-e-a-crescente-dificuldade-de-seu-ingresso-no-mercado-de-trabalho\/","title":{"rendered":"Os jovens brasileiros e a crescente dificuldade de seu ingresso no mercado de trabalho"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<p><strong>Carla Reita Faria Leal e Thamires Batista de Sousa<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-683x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3941\" style=\"width:279px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-683x1024.jpeg 683w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-200x300.jpeg 200w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-768x1151.jpeg 768w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1025x1536.jpeg 1025w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1366x2048.jpeg 1366w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1000x1499.jpeg 1000w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-500x749.jpeg 500w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1400x2098.jpeg 1400w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00.jpeg 1708w\" sizes=\"(max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><\/figure><\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">No atual cen\u00e1rio \u201cp\u00f3s-pand\u00eamico\u201d, com a retomada das atividades econ\u00f4micas em sua quase totalidade, a expectativa do mercado de trabalho brasileiro \u00e9 de estabilidade, mesmo ap\u00f3s uma queda hist\u00f3rica do PIB e frente \u00e0s demiss\u00f5es em massa impulsionadas pela crise sanit\u00e1ria da COVID-19. Deste modo, vivenciamos a oferta de empregos e a inser\u00e7\u00e3o de trabalhadores em situa\u00e7\u00e3o de desocupa\u00e7\u00e3o nos quadros de pessoal das empresas. De fato, em 2021 e 2022 houve no Brasil uma crescente oferta de novos postos laborais, entretanto, segundo o Departamento de Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese), cerca de 26% dos jovens de 15 a 29 anos \u2013 o equivalente a 12,7 milh\u00f5es de brasileiros \u2013 encontravam-se na condi\u00e7\u00e3o de \u201cnem-nem\u201d no ano de 2021 (nem frequentavam escola formal nem trabalhavam).\u00a0 \u00c9 necess\u00e1rio destacar que, nesse contexto, dentre os quase 13 milh\u00f5es de \u201cnem-nem\u201d mencionados acima, grande parte estava em busca de trabalho, isto \u00e9, 5,1 milh\u00f5es de pessoas, o equivalente a 40% dos jovens nessa condi\u00e7\u00e3o de \u201cdesocupa\u00e7\u00e3o\u201d e 10% de todos os jovens brasileiros entre 15 e 29 anos. Em termos qualitativos, s\u00e3o abrangidos nesse montante jovens desocupados pessoas de diferentes classes socioecon\u00f4micas, mas existem especificidades que os diferenciam: cerca de 24% destes pertencem \u00e0s fam\u00edlias mais pobres do pa\u00eds e o principal motivo de n\u00e3o exercerem nenhuma atividade fora do lar \u00e9 justamente a obriga\u00e7\u00e3o destes com os afazeres dom\u00e9sticos e os cuidados de pessoas da fam\u00edlia. Por outro lado, apenas 6% est\u00e3o na parcela da popula\u00e7\u00e3o mais ricas, a justificativa para n\u00e3o trabalharem e n\u00e3o estudarem \u00e9 o compromisso com estudos que n\u00e3o s\u00e3o considerados formais, como os pr\u00e9-vestibulares ou a prepara\u00e7\u00e3o para concursos p\u00fablicos, por exemplo. Estes dados s\u00e3o da (Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (Pnad Cont\u00ednua 2022), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). O estudo demonstra que boa parte desses jovens est\u00e1 a procura de emprego, submete seus curr\u00edculos periodicamente para empresas e corpora\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de eventualmente se submeter a trabalhos informais para garantir uma fonte de renda. Em contrapartida, a tentativa se faz frustrada por alguns fatores, como o baixo n\u00edvel de escolariza\u00e7\u00e3o e de instru\u00e7\u00e3o profissional, resultado do acesso prec\u00e1rio de pessoas de baixa renda \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de qualidade e, por conseguinte, poucas chances de ingresso no Ensino Superior. Ademais, as condi\u00e7\u00f5es individuais de alguns candidatos tamb\u00e9m dificultam a garantia de um emprego est\u00e1vel, quais sejam, as m\u00e3es jovens, que enfrentam o preconceito de selecionadores, e a necessidade de utilizar transporte p\u00fablico quando domiciliados em bairros perif\u00e9ricos, que em sua maioria n\u00e3o possui estrutura de mobilidade urbana eficiente. Assim, revela-se imperioso reconhecer que o que se fez at\u00e9 aqui para a qualifica\u00e7\u00e3o e a inser\u00e7\u00e3o da juventude no mercado laboral brasileiro foi insuficiente, tendo em vista os altos n\u00edveis de desigualdade e de inacessibilidade \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de uma vida digna e independente por parte dessa juventude. Assim, n\u00e3o h\u00e1 que se falar apenas em crescimento econ\u00f4mico e oferta de empregos para a busca do pleno emprego, mas da garantia de acesso \u00e0 instru\u00e7\u00e3o, ao conhecimento e \u00e0 ci\u00eancia para essas jovens mentes e bra\u00e7os. Isto porque s\u00f3 assim estaremos em vias de conceder aos diferentes grupos a mesma chance e expectativa de garantir a sua dignidade, vez que esta prov\u00e9m do trabalho e da realiza\u00e7\u00e3o profissional<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Carla Reita Faria Leal e Thamires Batista de Sousa s\u00e3o membros do Grupo de Pesquisa sobre o Meio Ambiente de Trabalho da UFMT, o GPMAT.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carla Reita Faria Leal e Thamires Batista de Sousa No atual cen\u00e1rio \u201cp\u00f3s-pand\u00eamico\u201d, com a retomada das atividades econ\u00f4micas em sua quase totalidade, a expectativa do mercado de trabalho brasileiro \u00e9 de estabilidade, mesmo ap\u00f3s uma queda hist\u00f3rica do PIB e frente \u00e0s demiss\u00f5es em massa impulsionadas pela crise sanit\u00e1ria da COVID-19. 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