{"id":4082,"date":"2025-02-20T23:08:09","date_gmt":"2025-02-21T02:08:09","guid":{"rendered":"https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/?p=4082"},"modified":"2025-02-20T23:08:09","modified_gmt":"2025-02-21T02:08:09","slug":"o-aquecimento-global-e-os-seus-reflexos-no-mundo-do-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/index.php\/2025\/02\/20\/o-aquecimento-global-e-os-seus-reflexos-no-mundo-do-trabalho\/","title":{"rendered":"O aquecimento global e os seus reflexos no mundo do trabalho"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Carla Reita Leal e Polyana M. Nogueira Tavares<\/h3>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"684\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1-684x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3949\" style=\"width:305px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1-684x1024.jpeg 684w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1-200x300.jpeg 200w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1-768x1151.jpeg 768w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1-1025x1536.jpeg 1025w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1-1000x1498.jpeg 1000w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1-500x749.jpeg 500w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1.jpeg 1068w\" sizes=\"(max-width: 684px) 100vw, 684px\" \/><\/figure><\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">As condi\u00e7\u00f5es ambientais extremas enfrentadas pela popula\u00e7\u00e3o mundial em raz\u00e3o das cada vez mais frequentes e intensas ondas de calor t\u00eam sido apontadas como uma das poss\u00edveis causas do falecimento da estudante da Universidade Federal de Rondon\u00f3polis, Ana Clara Benevides, de 23 anos, ocorrido no \u00faltimo dia 17 de novembro, durante o show da cantora americana Taylor Swift na cidade do Rio de Janeiro. Segundo dados divulgados por \u00f3rg\u00e3os oficiais de acompanhamento clim\u00e1tico, naquele dia a cidade do Rio de Janeiro apresentou picos de temperatura de mais de 40\u00baC, sendo reportado que a sensa\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica alcan\u00e7ou a casa dos 60\u00baC. A fatalidade ocorrida lan\u00e7ou luz para uma tem\u00e1tica j\u00e1 h\u00e1 muito debatida entre os cientistas de diversas \u00e1reas: devem ser adotadas medidas imediatas para amenizar os efeitos do aumento da temperatura na sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, principalmente para aqueles que est\u00e3o mais vulner\u00e1veis \u00e0 sua incid\u00eancia, que s\u00e3o os indiv\u00edduos que exercem atividades ao ar livre. O mundo tem registrado aumentos sens\u00edveis na morte de trabalhadores que desenvolvem suas tarefas ao ar livre, ou em locais mal ventilados, e onde h\u00e1 a reten\u00e7\u00e3o de calor. Em reportagem publicada em junho pelo jornal franc\u00eas\u00a0<em>Le Monde<\/em>, assinada por Alain Constant, foi alertado que o calor faz com que a economia mundial perca mais de 2 trilh\u00f5es de d\u00f3lares todos os anos, j\u00e1 que faz com que trabalhemos mais devagar e em condi\u00e7\u00f5es menos favor\u00e1veis.Sob a perspectiva da sa\u00fade dos trabalhadores, o document\u00e1rio \u201c<em>Trop chaud pour travailler<\/em>\u201d (Muito calor para trabalhar), produzido por Mika\u00ebl Lefran\u00e7ois e Camille Robert, aponta para a necessidade de se repensar os modos de produ\u00e7\u00e3o, assim como a legisla\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel \u00e0s atividades laborais submetidas \u00e0s altas temperaturas. Durante o document\u00e1rio, os produtores mostraram os efeitos do aquecimento clim\u00e1tico em atividades laborais exercidas em diversas partes do mundo. Em uma das situa\u00e7\u00f5es apesentadas, mais pr\u00f3xima da realidade brasileira, os documentaristas apontam os trabalhadores agr\u00edcolas, como os cortadores de cana-de-a\u00e7\u00facar da Am\u00e9rica Central (Nicaragua e El Salvador) que trabalham em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, os quais, devido \u00e0s altas temperaturas, associadas ao trabalho f\u00edsico intenso e com poucos intervalos, v\u00eam sofrendo ataques card\u00edacos e sendo acometidos por doen\u00e7as renais. Nesse caso mencionado no filme documental, a epidemia de doen\u00e7as renais nos pa\u00edses citados afeta tamb\u00e9m o sistema de sa\u00fade, incapaz de atender o alto fluxo de pacientes que necessitam de di\u00e1lise. Nesse aspecto, talvez, a legisla\u00e7\u00e3o brasileira apresente certa vanguarda em rela\u00e7\u00e3o aos demais pa\u00edses do continente, uma vez que os limites de exposi\u00e7\u00e3o ao agente f\u00edsico calor est\u00e3o objetivamente definidos na Anexo III da Norma Regulamentadora n.\u00ba 09 do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego. A referida NR, al\u00e9m de estabelecer limites de temperatura aos quais os empregados podem ser submetidos, determina tamb\u00e9m medidas preventivas que os empregadores devem adotar obrigatoriamente quando a exposi\u00e7\u00e3o ocupacional ao calor puder oferecer qualquer tipo de risco ao trabalhador, tais como: disponibilizar \u00e1gua fresca pot\u00e1vel e incentivar a sua ingest\u00e3o; e programar os trabalhos mais pesados, preferencialmente, nos per\u00edodos com condi\u00e7\u00f5es t\u00e9rmicas mais amenas.Al\u00e9m disso, h\u00e1 previs\u00e3o, na mesma norma, para ado\u00e7\u00e3o de medidas corretivas, como exemplo a alterna\u00e7\u00e3o entre opera\u00e7\u00f5es que gerem exposi\u00e7\u00f5es a n\u00edveis mais elevados de calor com outras que n\u00e3o apresentem exposi\u00e7\u00f5es ou impliquem exposi\u00e7\u00f5es a menores n\u00edveis, resultando na redu\u00e7\u00e3o do tempo total de exposi\u00e7\u00e3o, a adapta\u00e7\u00e3o dos locais e postos de trabalho, adequa\u00e7\u00e3o do sistema de ventila\u00e7\u00e3o, dentre outras.Entretanto, os \u00faltimos epis\u00f3dios desta nova epidemia de calor t\u00eam demonstrado que devemos estar cada vez mais atentos aos sinais de desidrata\u00e7\u00e3o, aumento ou diminui\u00e7\u00e3o brusca da press\u00e3o arterial e, principalmente, exigir daqueles que colocam a popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00f5es de risco (sejam espectadores de um\u00a0<em>show<\/em>\u00a0ou trabalhadores que exer\u00e7am suas atividades expostos ao calor) o cumprimento da legisla\u00e7\u00e3o para amenizar os riscos decorrentes da exposi\u00e7\u00e3o cada vez mais frequente \u00e0s altas temperaturas. \u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>*Carla Reita Faria Leal e Polyana M. Nogueira Tavares s\u00e3o membros do Grupo de Pesquisa sobre meio ambiente do trabalho da UFMT, o GPMAT. &nbsp;<\/strong>&nbsp;&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carla Reita Leal e Polyana M. 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