{"id":4033,"date":"2025-02-20T09:47:46","date_gmt":"2025-02-20T12:47:46","guid":{"rendered":"https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/?p=4033"},"modified":"2025-02-20T09:47:52","modified_gmt":"2025-02-20T12:47:52","slug":"a-violencia-contra-a-mulher-o-trabalho-e-a-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/index.php\/2025\/02\/20\/a-violencia-contra-a-mulher-o-trabalho-e-a-pandemia\/","title":{"rendered":"A viol\u00eancia contra a mulher, o trabalho e a pandemia"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"684\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1-684x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3949\" style=\"width:287px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1-684x1024.jpeg 684w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1-200x300.jpeg 200w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1-768x1151.jpeg 768w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1-1025x1536.jpeg 1025w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1-1000x1498.jpeg 1000w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1-500x749.jpeg 500w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1.jpeg 1068w\" sizes=\"(max-width: 684px) 100vw, 684px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Carla Leal*<br>Brendhon Andrade*<br>A viol\u00eancia contra a mulher, o trabalho feminino e a pandemia s\u00e3o tr\u00eas tem\u00e1ticas que nos \u00faltimos tempos t\u00eam andado conjuntamente e, portanto, ser\u00e3o objetos de nossa discuss\u00e3o. O ponto de conson\u00e2ncia est\u00e1 no fato de que em tempos de pandemia e de crise econ\u00f4mica as rela\u00e7\u00f5es de trabalho s\u00e3o alteradas, assim como as rela\u00e7\u00f5es de poder. Portanto, isto faz com que tanto as desigualdades de g\u00eanero mundo do trabalho quanto a viol\u00eancia contra a mulher fiquem mais evidenciadas. Ap\u00f3s o in\u00edcio da pandemia, com o isolamento social que se fez necess\u00e1rio para frear a prolifera\u00e7\u00e3o do coronav\u00edrus e com as tens\u00f5es resultantes da conviv\u00eancia exacerbada e ainda a falta de recursos financeiros, aumentou, e em muito, a viol\u00eancia contra a mulher. Pesquisa feita pelo Banco Mundial em 12 estados brasileiros aponta que em mar\u00e7o e abril, dois primeiros meses do isolamento, houve um aumento de 22% nos casos de feminic\u00eddio em compara\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2019. Por outro lado, houve um aumento de quase 30% nas liga\u00e7\u00f5es para o n\u00famero 180, que \u00e9 a central de atendimento para viol\u00eancia contra a mulher, muito embora tenha havido uma diminui\u00e7\u00e3o das den\u00fancias nas delegacias e tamb\u00e9m nos pedidos de medidas protetivas. Entretanto, especialistas apontam que essa diminui\u00e7\u00e3o decorre do fato das mulheres estarem no confinamento com o seu agressor e com a mobilidade reduzida, o que dificulta o seu deslocamento para as den\u00fancias, causando, assim, uma subnotifica\u00e7\u00e3o muito grande. Para agravar ainda mais a situa\u00e7\u00e3o das mulheres, essas foram brutalmente atingidas pela falta de trabalho e da renda, resultado da paralisa\u00e7\u00e3o da economia. Importante lembrar que, pelos dados do IBGE, as mulheres s\u00e3o mais vulner\u00e1veis economicamente, seja por ganham menos que homens, seja porque est\u00e3o em maior n\u00famero na  informalidade, seja por normalmente serem respons\u00e1veis pelos cuidados com os filhos, com os doentes e com os idosos da fam\u00edlia. Al\u00e9m disso, h\u00e1 a divis\u00e3o sexual do trabalho, na qual as mulheres s\u00e3o direcionadas, majoritariamente, para profiss\u00f5es que lidam a tem\u00e1tica do cuidado, como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, i.e., linha de frente da pandemia. De acordo com o relat\u00f3rio da ONU Mulheres, 70% dos trabalhadores de sa\u00fade em todo o mundo s\u00e3o mulheres. No Brasil, 85% corpo de enfermagem \u00e9 composto por mulheres, 45,6% dos m\u00e9dicos e 85% dos cuidadores de idosos s\u00e3o mulheres, fato que as exp\u00f5em a um maior risco de infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus e suas consequ\u00eancias. Em decorr\u00eancia dessas diferen\u00e7as, \u00e9 fundamental que as medidas econ\u00f4micas de resposta \u00e0 crise mundialmente tenham em conta a situa\u00e7\u00e3o \u00fanica das mulheres. Especialmente nas zonas de conflito e em outras \u00e1reas onde a igualdade de g\u00eanero recebe pouca aten\u00e7\u00e3o, como no Brasil. Fica claro que meninas e mulheres correm o risco de serem exclu\u00eddas dos processos de tomada de decis\u00e3o e, at\u00e9 mesmo, serem deixadas literalmente para tr\u00e1s. Desta forma, precisamos de uma nova cultura e consci\u00eancia social que estejam atentas ao combate \u00e0s desigualdades de g\u00eanero. \u00c9 preciso estabelecer novos instrumentos, pol\u00edticas e a\u00e7\u00f5es que visem, efetivamente, equilibrar as hierarquias sociais que as mulheres est\u00e3o submetidas, como, por exemplo, a sub-representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, o subemprego e as ocupa\u00e7\u00f5es trabalhistas que privilegiam homens em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres, ainda que ambos tenham as mesmas qualifica\u00e7\u00f5es. Nesse sentido, h\u00e1 que ter tamb\u00e9m uma participa\u00e7\u00e3o da sociedade e o interesse em alterar esses quadros por meio de conscientiza\u00e7\u00e3o, di\u00e1logo e principalmente de a\u00e7\u00f5es. N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o no mundo civilizado para a viol\u00eancia de g\u00eanero nem para o tratamento desigual das mulheres no mundo do trabalho. Precisamos dar a devida aten\u00e7\u00e3o a essas tem\u00e1ticas.<br><br>*Essa coluna teve a participa\u00e7\u00e3o de Carla Leal e Brendhon Andrade, membros do Grupo de Pesquisa sobre o meio ambiente do trabalho da UFMT, o GPMA<\/p>\n<\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carla Leal*Brendhon Andrade*A viol\u00eancia contra a mulher, o trabalho feminino e a pandemia s\u00e3o tr\u00eas tem\u00e1ticas que nos \u00faltimos tempos t\u00eam andado conjuntamente e, portanto, ser\u00e3o objetos de nossa discuss\u00e3o. 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