{"id":3979,"date":"2025-02-14T23:51:09","date_gmt":"2025-02-15T02:51:09","guid":{"rendered":"https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/?p=3979"},"modified":"2025-02-14T23:53:15","modified_gmt":"2025-02-15T02:53:15","slug":"o-transtorno-de-adaptacao-no-trabalho-em-tempo-de-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/index.php\/2025\/02\/14\/o-transtorno-de-adaptacao-no-trabalho-em-tempo-de-pandemia\/","title":{"rendered":"O transtorno de adapta\u00e7\u00e3o no trabalho em tempo de pandemia"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<p>Carla Reita Faria Leal<br>Evandro Monezi Benevides<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"684\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1-684x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3949\" style=\"width:333px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1-684x1024.jpeg 684w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1-200x300.jpeg 200w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1-768x1151.jpeg 768w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1-1025x1536.jpeg 1025w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1-1000x1498.jpeg 1000w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1-500x749.jpeg 500w, https:\/\/gpmat-ufmt.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-13-at-08.22.00-1.jpeg 1068w\" sizes=\"(max-width: 684px) 100vw, 684px\" \/><\/figure><\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ao longo de sua exist\u00eancia, os seres humanos sempre estiveram expostos a transforma\u00e7\u00f5es sociais, culturais e  ambientais. Por\u00e9m, nem sempre responderam de forma satisfat\u00f3ria a tais mudan\u00e7as. Segundo estudiosos sobre o assunto, atualmente n\u00e3o apenas, mas principalmente as pessoas que desempenham atividades burocr\u00e1ticas ou administrativas, s\u00e3o propensas a um modo de vida mais seguro e, por isso, n\u00e3o conseguem se adaptar a grandes mudan\u00e7as, o que lhes exige tempo e esfor\u00e7o.  Com o advento da pandemia da covid-19 e a necessidade de isolamento e de distanciamento social, a humanidade foi for\u00e7osamente conduzida a adaptar-se, em especial no trabalho. Atividades que antes eram realizadas apenas presencialmente passaram a acontecer de forma virtual. Aqueles que n\u00e3o tinham intimidade com ferramentas tecnol\u00f3gicas passaram a oper\u00e1-las diariamente. Outros, que estavam acostumados com a companhia de v\u00e1rios colegas de trabalhos, tiveram que se conformar, reclusos em suas casas, a v\u00ea-los apenas pela tela do computador. \u00c9 nesse contexto de mudan\u00e7as compuls\u00f3rias que algumas doen\u00e7as mentais tendem a se desenvolverem, sobretudo no meio ambiente do trabalho.  O Transtorno de Adapta\u00e7\u00e3o, que na Classifica\u00e7\u00e3o Internacional de Doen\u00e7as (CID-10) \u00e9 elencado com o c\u00f3digo F43, pode ser definido, segundo Marilda Emmanuel Novaes Lipp[1], \u201ccomo um estado de desequil\u00edbrio do funcionamento ps\u00edquico e que ocorre quando o organismo necessita utilizar seus recursos psicobiol\u00f3gicos para lidar com eventos que exijam uma a\u00e7\u00e3o defensiva\u201d. Assim, esse transtorno \u00e9 desencadeado quando existem amea\u00e7as a homeostase (processo pelo qual o organismo mant\u00e9m constantes as condi\u00e7\u00f5es internas necess\u00e1rias para a vida) ou ao equil\u00edbrio interno do indiv\u00edduo, isto \u00e9, diante de uma situa\u00e7\u00e3o inesperada ou estressante, sentindo-se amea\u00e7ado ou vulner\u00e1vel, o organismo acaba afetado, gerando consequ\u00eancias a sa\u00fade f\u00edsica ou mental[2].  Tais circunst\u00e2ncias bastante presentes no ambiente laboral, ainda mais considerando o cen\u00e1rio pand\u00eamico que tem obrigado trabalhadores a se adaptarem a novas realidades de forma muito abrupta: morte de colegas de trabalho, demiss\u00f5es em massa, jornadas extenuantes, o pr\u00f3prio trabalho virtualizado como o teletrabalho e o home office que obrigaram os trabalhadores a conciliarem vida privada e profissional, dentre outros in\u00fameros fatores estressantes que tendem a gerar Transtornos Mentais Relacionados ao Trabalho (TMRT), dentre eles o Transtorno de Adapta\u00e7\u00e3o.  Ocorre que os trabalhadores que mais estiveram e ainda est\u00e3o expostos a essa realidade s\u00e3o os denominados essenciais. Segundo o artigo intitulado \u201cDepress\u00e3o, ansiedade e estilo de<br>vida entre trabalhadores essenciais: uma pesquisa na web do Brasil e da Espanha durante a pandemia do COVID-19\u201d, publicado em 2020 na revista cient\u00edfica Journal of Medical Internet Research por pesquisadores da Fiocruz, em parceria com a Universidade de Valencia (Espanha) e do Hospital de Cl\u00ednicas de Porto Alegre (HCPA)\/Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a sa\u00fade mental de trabalhadores essenciais, como os da \u00e1rea da sa\u00fade, seguran\u00e7a p\u00fablica e alimenta\u00e7\u00e3o, est\u00e1 sendo duramente afetada durante a pandemia[3]. Segundo esta pesquisa, 47,3% dos trabalhadores essenciais apresentaram ansiedade ou depress\u00e3o durante a pandemia da covid-19, no Brasil e na Espanha, sendo que 27,4% do total de entrevistados sofre de ansiedade e de depress\u00e3o ao mesmo tempo. O estudo tamb\u00e9m aponta o abuso de bebidas alco\u00f3licas entre os entrevistados, o que corresponde a 44,3% deles e 42,9% apresentaram mudan\u00e7as nos h\u00e1bitos de sono[4]. Isso demonstra que trabalhadores em condi\u00e7\u00f5es laborativas sensivelmente alteradas pela pandemia est\u00e3o sujeitos aos transtornos mentais relacionados ao trabalho, sendo necess\u00e1ria maior aten\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento do Transtorno de Adapta\u00e7\u00e3o, que, como j\u00e1 mencionado, est\u00e1 intrinsicamente relacionado a condi\u00e7\u00f5es estressantes no ambiente laboral. Assim, diante da necessidade emergente de garantir um meio ambiente de trabalho saud\u00e1vel e, ao mesmo tempo, corresponder com as mudan\u00e7as nesta realidade pand\u00eamica, aqueles trabalhadores, em especial os essenciais, que n\u00e3o estiverem aptos a lidar com tais mudan\u00e7as e n\u00e3o tiverem tratamento adequado, certamente n\u00e3o poder\u00e3o contribuir de forma satisfat\u00f3ria para o sucesso na luta contra a covid-19 e adoecer\u00e3o. Portanto, o cuidado e a aten\u00e7\u00e3o para com a sa\u00fade mental dos trabalhadores que sofreram mudan\u00e7as radicais no ambiente laboral em decorr\u00eancia da crise pand\u00eamica representam uma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica, mais que isso, implica no respeito aos direitos humanos e fundamentais destinados a classe trabalhadora, dentre os quais o direito \u00e0 sa\u00fade do trabalhador.  <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>Carla Reita Faria Leal e Evandro Monezi Benevides s\u00e3o membros do Grupo de Pesquisa sobre o meio ambiente do trabalho da UFMT, o GPMAT.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carla Reita Faria LealEvandro Monezi Benevides Ao longo de sua exist\u00eancia, os seres humanos sempre estiveram expostos a transforma\u00e7\u00f5es sociais, culturais e ambientais. Por\u00e9m, nem sempre responderam de forma satisfat\u00f3ria a tais mudan\u00e7as. 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